• As lobas e o sabor da carne


    Danilo Angrimani


    Uma companhia aérea da Nova Zelândia fez um anúncio publicitário polêmico. Para vender uma promoção que distribuía ingressos para um jogo de rugby, produziu um filme que mostra quarentonas dando em cima de garotões. A peça publicitária traz uma coroa, com um chamativo vestido vermelho, andando de quatro, como uma leoa “faminta”.
    O anúncio aproveita para traçar um perfil das “cougars”, como os americanos chamam as mulheres de 40 anos (ou mais) que preferem namorar jovens. O termo “cougar” refere-se a um felino (leão da montanha). O anúncio foi considerado “ofensivo” por grupos feministas. Fez escândalo e atingiu seu objetivo ao divulgar a promoção simplória.
    O engraçado é que, enquanto lia essa notícia em meu laptop, em uma padaria de São Bernardo, na mesa ao lado, uma “cougar” namorava um garotão em tempo real. A diferença de idade entre eles, em um cálculo conservador, devia bater nos 30 anos. Trocavam beijos apaixonados. Ela – loira, vestido e sapato alto de grife, com jeito de quem acabou de sair do cabeleireiro. Ele – bermudão, tênis, camiseta surrada e precisando de um serviço completo de barba e cabelo.
    O termo “cougar” seria melhor traduzido aqui como “loba”, com base no livro de Regina Lemos (A Idade da Loba). Em seu livro, Regina falava das mulheres de 40 anos que não tinham medo de buscar novas emoções. A lista de lobas que têm ou tiveram caso com homens mais jovens é cansativa: Ana Maria Braga/Marcelo Frisoni, Marília Gabriela/Reynaldo Gianecchini, Susana Vieira/Marcelo Silva, Elba Ramalho/Gaetano, Madonna/Jesus.
    No filme Chéri, em exibição, Michele Pfeiffer é uma cortesã aposentada que se apaixona por um garotão mimado. Ao falar sobre essa relação entre mulheres mais velhas e rapazinhos, a atriz comentou em uma entrevista: “Somos vistas como feras em busca de carne fresca”. Pano rápido.