• Bimbalham os sinos...É Natal!


    Danilo Angrimani

    Essas próximas duas semanas são perigosas. O ideal seria se esconder. Natal e Ano Novo representam uma ameaça às balanças. Lá pelo dia 4 de janeiro, as coitadas vão suportar toneladas de peso extra, ganhos nesses dias de pajelança. A nossa sorte é que balança ainda não grita, nem pede socorro.
    É claro que algum japonês já deve ter inventado uma balança robô que ergue as mãos aos céus e pede clemência diante da aproximação de uma ameaçadora barriga proeminente, mas esse tipo de equipamento, felizmente, ainda não está disponível por aqui.
    Além da comida calórica, gordurosa e irrecusável que vai superlotar as mesas das famílias, nunca se viu tanta oferta de comida pelas ruas. Quando comecei a trabalhar no Grande ABC, no início da década de 90, havia um único shopping de fato, com uma tímida praça de alimentação.
    Hoje, os shoppings estão por todo canto. As praças de alimentação são tentadoras. Tem comida mexicana, japonesa, chinesa, americana, árabe, caipira e – minha nossa! – italiana. O chef prepara o spaghetti bem na sua frente, com os ingredientes que você vai escolhendo. “Alcaparras...Gorgonzola...”
    Ali na vizinhança, os doces se oferecem de maneira lasciva: recheados, úmidos, açucarados, tentadores. Não sei por que faço sempre uma analogia com aquelas prostitutas seminuas exibindo-se nas vitrines de Amsterdã.
    A barriga estufa. A cinta perde furos. A calça escorrega pela cintura. Como naquela piada: “Você está engraçado com essa calça caindo, repuxada pelo cinto”. E o cara responde: “Eu ficaria mais engraçado ainda sem a cinta na calça”.
    Na praia, o gordão aproveita o sol de fim de tarde, espalhado na areia, quando tem seu descanso interrompido pelo salva-vidas: “Desculpe, o sr. poderia sair da praia...” O gordão não compreende o que está acontecendo. “Por quê?” O salva-vidas responde de forma incisiva: “É que a maré está querendo subir e o senhor não está deixando...”
    Bom Natal e tenha dó da coitada da balança.