• A debilidade das nossas instituições


    Danilo Angrimani

    Alexandre Garcia, âncora eventual do Jornal Nacional, foi obrigado por decisão judicial a ler, na edição de sábado à noite da semana retrasada, uma nota, reconhecendo direitos autorais de um fotógrafo que teve suas fotos exibidas sem autorização por um telejornal da Rede Globo. O fotógrafo processou a emissora e ganhou. Alguma novidade nessa história? Só uma: a decisão da Justiça veio com 15 anos de atraso. Qual é o sentido de uma sentença tão tardia como essa? Ninguém mais se lembra do fato. Às vezes, o responsável pela ação já morreu. Justiça, quando tarda, falha.
    A sensação que o cidadão comum tem em relação às instituições, que deveriam proteger seus interesses, é de fragilidade. As instituições estão lá. Os prédios existem. Há funcionários lá dentro, trabalhando, mas nem sempre funcionam como deveriam.
    Recentemente, denunciei um corte de árvores em um terreno próximo da minha casa. Foram cortadas oito árvores, com motosserra. A Polícia Florestal apareceu. Ficamos frente a frente: eu, dois policiais e o dono do terreno. Um dos agentes perguntou ao dono do terreno se ele tinha autorização para cortar as oito árvores. Não, ele não tinha. Só podia cortar três. “Mas eu só cortei três”, garantiu o dono do terreno. O policial perguntou quem tinha cortado as outras cinco árvores. “Não sei”, respondeu o sujeito, a motosserra ao lado pingando seiva. Parece inacreditável, mas o policial acreditou na versão do predador.
    A promotora do Meio Ambiente, sufocada entre imensos volumes de processos, ligou para a Polícia Florestal. “Quantas árvores foram cortadas?”. “Três”, respondeu o policial, emendando: “Está tudo certo. Eles tinham autorização.”
    Isso aconteceu de fato na região metropolitana de São Paulo. Não foi em estados de recursos precários. Foi na Grande São Paulo, onde há promotores atuantes, policiais vigilantes e departamento ativos de proteção ambiental. Imagine no Amazonas quantas histórias de omissão e conivência não seriam contadas se alguém se desse o trabalho de ouvi-las?