• A difícil arte de servir


    Danilo Angrimani

    O Grande ABC tem uma infinidade de bares, restaurantes, praças de alimentação. A oferta é ampla, irrestrita. Tem a comida que engorda do fast food, o alimento saudável, até pratos exóticos. O atendimento nem sempre é adequado. Em alguns casos, chega a ser desastroso.
    Estava em uma pizza-bar na avenida Kennedy, em São Bernardo, quando o garçom aproximou-se. Ele estendeu a mão e me cumprimentou. Eu não o conhecia, não tinha a menor intimidade com ele e lá veio aquela mão pegajosa grudando-se na minha, que precisou ser lavada novamente antes da refeição.
    Também em São Bernardo, a dona de uma lanchonete contava o dinheiro do caixa, enquanto o palito de dente passeava ostensivamente pela boca. Às vezes, o palito se detinha e apontava para mim de forma ameaçadora. Como dizia a saudosa madame Poças Leitão, professora de boas maneiras, “palito de dente nem no banheiro, no escuro”.
    Em São Caetano, em uma pizzaria histórica, fui atacado por outro garçom íntimo. Desta vez, o sujeito aproximou-se e colocou a mão no meu ombro. Na realidade, ele se apoiou em cima de mim, perguntando: “E aí? Já escolheu?”
    No lado oposto, em um restaurante chique de Santo André, sinto minha liberdade vigiada por uma legião de garçons prestativos, que pecam pelo excesso. É se descuidar e lá vai o prato. Num piscar de olhos, aquele pedacinho delicioso da sobremesa, deixado para o final, desaparece para sempre.
    O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) tem um programa voltado para empresas de pequeno porte. Chama-se APL (Arranjo Produtivo Local). Na prática, o participante do APL faz cursos de aperfeiçoamento que vão ajudá-lo a administrar de maneira mais eficiente sua empresa e consequentemente ganhar mais dinheiro. Um APL de bares, restaurantes e similares da região seria muito bem-vindo.