• Durma-se com um barulho desses


    Danilo Angrimani

    Não sou aquele tipo ranzinza que reclama da festa de aniversário do filho do vizinho. Reajo com bons modos e compreensão à cantoria do “Parabéns a Você”, ao cheiro gosmento da fumaça da carne queimando na churrasqueira e às risadas dos convidados. O que não consigo assimilar é a invasão do meu espaço pelo som alheio.
    Quando você está na sua casa, trancado ali dentro, você encontra-se dentro de seu castelo, do seu refúgio. Por isso, ter o espaço doméstico invadido por um som que não quer ouvir, não pediu para ouvir, é extremamente irritante. Insuportável mesmo.
    Na seção de cartas dos leitores deste Bom Dia, um leitor reclama do excesso de ruído, que ele percebe na região. Não é só no Grande ABC, caro leitor. Parece ser algo disseminado pelo País. O barulho é constante e, aparentemente, irrefreável.
    Às vezes, você está na sua cama, dormindo, e é acordado por um ruído trepidante de um carro. Se eu fosse advogado, pensaria em uma ação contra as indústrias que produzem esses aparelhos de som. Nos mesmos moldes que foi feito nos Estados Unidos contra os fabricantes de armas.
    Quando você é incomodado de madrugada e liga para a polícia, geralmente, o agente do outro lado da linha diz o seguinte: “Nós vamos enviar uma viatura aí, mas o senhor precisa estar presente no local”. Por que será que há necessidade de expor o reclamante? Sei lá, mas faço a minha parte. Em geral, a polícia aparece e dá conta do recado.
    Sei que o País tem leis suficientes, mas penso que esses vereadores e deputados, que passam o tempo produzindo leis inócuas, poderiam fazer algo a respeito. Som alto é mais do que “perturbação da ordem”. É invasão de domicílio.