• Homossexuais e a adoção de bebês


    Danilo Angrimani

    “Não é certo um casal homossexual adotar uma criança, porque é contra a natureza.” Quem disse isso foi um leitor do BOM DIA ao ser questionado sobre a adoção de crianças por casais homossexuais.
    O leitor não está isolado. Milhares de religiosos e fiéis das três principais crenças do planeta asseguram que Deus condena o homossexualismo e, por extensão, o desejo dos homossexuais de formar uma família. Não seria “normal” casais homossexuais adotarem um bebê.
    O argumento baseia-se na tese de que um homem e uma mulher unem-se para a reprodução da espécie. Fora isso, não faz sentido duas pessoas ficarem juntas.
    “É contra a natureza”, diriam católicos, muçulmanos, e judeus.
    O problema é a fragilidade dessa peça. Ela é desmontável. A natureza dos humanos difere da dos animais. Um amigo costumava dizer: “Nunca vi tubarão de óculos”.
    A sociedade, construída pelos humanos, afastou-se do ambiente natural e construiu outro ambiente, artificial. Humanos de 70 quilos utilizam veículos de 3 toneladas para sair de casa e ir a um shopping. Respiram ar condicionado. Comunicam-se por meio de computadores. Enviam robôs para farejar o solo de Marte. Abrem corpos e substituem órgãos. Controlam a concepção de bebês.
    Da mesma maneira, a natureza sexual dos seres humanos é outra. Distante da simples função reprodutora. O que move homens e mulheres é o desejo, as orientações da libido, e nem sempre em direção ao sexo oposto.
    A decisão de entregar um bebê para adoção deveria passar pela questão do preparo. Determinado casal ou pessoa, independente de sua orientação sexual, está apto para amar, educar e responsabilizar-se por uma criança?
    Ou basta ser uma procuradora aposentada, maluca e bruxa para ter direito à adoção?
    (A dúvida que não quer calar: Ibrahimovic e Piqué - é namoro ou amizade?)