• Hora de roer as unhas


    Danilo Angrimani

    Véspera de jogo da Seleção. Não consigo pensar em outra coisa. Entrei em contagem regressiva há um mês. E a hora finalmente está chegando. É como se eu também fosse entrar em campo.
    As Copas grudam como ferro quente. Até hoje, não me lembro de uma manifestação de felicidade coletiva como a que presenciei na conquista do tricampeonato em 1970. As pessoas se abraçavam nas ruas, choravam, corriam com as bandeiras, gritavam. Estavam absurdamente felizes. Foi também a maior Seleção que vi jogar. Um time que entrou para a história do futebol.
    Na Copa de 70, assisti também ao jogo mais trágico e heroico da minha vida. Foi a semifinal entre Itália e Alemanha. Um jogo terrível. Beckenbauer com a clavícula enfaixada, o corpo amarrado por faixas, lutando até o último segundo. Partida decidida na final, na prorrogação, só para dizimar cardíacos. A Itália venceu por 4 a 3.
    Outra Seleção fantástica foi a de 1982, dirigida por Telê Santana. Era um time de sonhos que não poderia perder. Mas perdeu. Para a Itália (3 a 2). Lembro de ter saído de casa com a minha mulher (ela grávida). Andamos sem rumo. Completamente desorientados. Meu peito doía. Queria chorar e não conseguia. A maior decepção da minha vida.
    Em 1998, fui cobrir a Copa da França. Não sofri com a derrota na final, porque assistia aos treinos e sabia que o time era fraco e ia acabar perdendo. Mesmo assim, veio a semifinal contra a Holanda. O jogo termina empatado. Decisão nos pênaltis.
    Para evitar uma cardiopatia, saio da área da imprensa do estádio Vélodrome. Entro no banheiro. Vejo uma cara conhecida: Chico Buarque de Holanda. Ele vê minha aflição e comenta comigo: “Pênalti não dá”.
    Pênalti em decisão, realmente, não dá. Roberto Baggio que o diga.