• Machões, gays e lésbicas


    Danilo Angrimani


    Na semana passada, o “Brasil parou” para torcer pela expulsão do machão Dourado do BBB (Big Brother Brasil). 77 milhões de pessoas teriam sacado o telefone e disparado para a Rede Globo detonando Dourado da cena. A audiência bateu nos 34 pontos (ou 2 milhões de residências na região metropolitana de São Paulo).
    Sites de gays e lésbicas, héteros envergonhados pediam que Dourado fosse expurgado. Um empresário e blogueiro de Limeira (SP) ofereceu R$ 50 mil para quem votasse contra Dourado.
    Até o decadente cantor Boy George, em liberdade condicional, teria entrado na briga e pedido a saída de Dourado (depois o ex-integrante do Culture Club teria se arrependido e apagado a mensagem em seu twitter). Era um país, um mundo contra um único homem.
    Mas por que um rapaz atlético e bem fornido como Dourado teria atraído tanto ódio assim? A resposta é simples: os telespectadores brasileiros estavam cansados das pílulas douradas de sabedoria: “Aids é doença de gay. Heterossexual não pega Aids”.
    O problema é que as 77 milhões de pessoas uniram-se para sacar do programa não o detestável Dourado, mas a jornalista Angélica, lésbica e gostosa assumida, made in Uberlândia, cujo apelido é uma fruta carnuda - Morango. O mal amado Dourado continuou no BBB.
    No outro canto do ringue, em confronto direto com o lutador de jiu-jítsu restou uma drag queen quarentona, que gosta de ler livros do gênero Comer, Beber, Amar. A drag tem um nome impronunciável cheio de “Ms”, “k”, “y”.
    Essa briga planejada entre gays, lésbicas e machões é pra inglês ver (se liga Boy George!). Talvez o slogan do programa deveria ser mudado para: “Vocês votam, trouxas, mas quem decide quem sai somos nós”. O verdadeiro Big Brother, meu caro, não está sentado na poltrona. Está atrás das câmeras.