• Mal-educados


    Quando se fala em viajar, as primeiras imagens que aparecem na cabeça são prazerosas: caminhos livres, asfalto em perfeito estado de conservação, ar puro e vacas nos observando atrás das cercas das propriedades rurais.

    Na prática, viajar de carro significa entrar em um mundo selvagem e perigoso. Predomina a má educação. Na Castelo Branco, na subida da serra de Araçariguama, o motorista do caminhão na minha frente come frutas. Primeiro, uma banana. Depois, o que parece ser uma ameixa. Um doce. Como se sabe o que ele come? Óbvio: pelos restos atirados na estrada, que deixam uma trilha de sujeira e descaso.

    O CNT (Código Nacional do Trânsito) revela-se um livro desconhecido dos motoristas. Talvez um dicionário da língua etrusca seja mais lido no Brasil que o CNT. Os condutores usam o acostamento para fazer ultrapassagens e continuar circulando enquanto os demais veículos – “os trouxas” - estão presos em um congestionamento monstro. Seta indicativa de direção, então, vira acessório desconhecido.

    A pior espécie de motorista tem complexo de trem. Ele se coloca na faixa da esquerda e vai acelerando, os faróis altos (às vezes, a seta da esquerda pulsa sem parar), grudando em quem está no “seu trilho”. A placa que pede para manter distância segura do carro da frente é tão ignorada por ele como estacionamento exclusivo de idoso em shopping. Esse condutor, que se acha trem, passa por cima das mais elementares regras de trânsito. A principal delas: o limite de velocidade. Ele gruda atrás do seu carro. Buzina. Acende o farol. É um trem, não pode parar. Sai da frente!

    A acompanhante do motorista mal educado geralmente é uma mulher alheia que anda com as solas dos pés descalços apoiadas no vidro dianteiro. O comportamento filisteu dela nos manda a seguinte mensagem: “Danem-se”.

    É muito batuque para tão pouca educação.