• Mulheres sem vergonha


    Danilo Angrimani

    Elas são autoras. Vêm de países diferentes e possuem algo em comum: escrevem com sinceridade sobre suas experiências sexuais. São mulheres sem vergonha.
    A mais famosa delas é francesa. Chama-se Catherine Millet e ganhou destaque mundial ao publicar o explosivo A Vida Sexual de Catherine M. (Ediouro). No livro, ela relata suas experiências de serial lover. Fala das partouze (orgias), das suas transas em parques, em ruas, na traseira de carros – às vezes, acompanhada por um parceiro cúmplice. Recentemente, ela publicou A Outra Vida de Catherine M. (Ediouro). Um livro chato sobre ciúmes. Pelo visto, gastou todo o combustível na obra anterior.
    O Brasil também tem a sua Catherine M. Chama-se Ana Ferreira e arrasou com o livro de estreia – Amadora (Geração Editorial). Um texto de divulgação exagerava e dizia que Ana Ferreira faria Henry Miller corar de vergonha. “Qual é? Pra cima de mim”, diria Miller. O fato é que Amadora é um livro memorável da literatura erótica brasileira. A autora se expõe, revela intimidades constrangedoras e a leitura de cada página parece tão real quanto um beijo na boca. O livro seguinte Carne Crua (Editora Objetiva) deu saudades do primeiro.
    No quesito “intimidade constrangedora”, ninguém supera a norte-americana Toni Bentley. Bailarina do New York City Ballet, ela surpreendeu a crítica ao escrever A Entrega (Editora Objetiva). No início do romance, Bentley já vem com tudo: “Sexo anal é para mim um acontecimento literário”. Considerado “blasfemo”, “profano”, A Entrega não recorre a metáforas sutis. Bentley manda ver: “Entre pela saída. O paraíso está esperando”.
    “Meus sais”, diria minha tia Mariquinha.