• O fim dos jornais


    Danilo Angrimani

    Periodicamente, sou convidado a participar de mesas-redondas sobre jornalismo e, em dado momento, um aluno sempre faz a mesma pergunta: “Os jornais vão acabar?”. A discussão não é nova. Para dizer a verdade, começa antes da chegada dos portugueses ao Brasil.
    Em um trecho do livro “Notre Dame de Paris”, que se passa em 1492, alguém fala que os livros iriam desaparecer por culpa dos jornais. “A imprensa mata os livros”, afirma um personagem. Como se sabe os jornais não assassinaram os livros, que continuaram existindo pelos séculos seguintes.
    Em resposta à pergunta infalível, costumo dizer que assim como o jornal não matou o livro, assim como o rádio não matou o jornal, e como a TV não matou o rádio, a internet não matará nem a TV, nem o rádio e nem os jornais. Todos continuarão existindo em (relativa) harmonia.
    Em seguida, o aluno questiona se o papel utilizado pelos impressos aceleraria a destruição da mata atlântica. É improcedente. A maioria das gráficas utiliza papel com selo verde. Por sua vez, as empresas produtoras de papel também se preocupam em utilizar matéria-prima de origem controlada. Ou seja, vem de florestas com certificação, ecologicamente, corretas.
    Um dos meus prazeres é tomar café da manhã, na padaria, lendo jornal. Gosto de virar as folhas, buscar notícias, reler artigos. No cabeleireiro, folheio revistas sobre frivolidades. Em casa, dá satisfação manusear um livro de capa chamativa e produção bem cuidada. A palavra impressa tem credibilidade.
    Os jornais perdem leitores quando tentam ser o que não são, quando imitam outros veículos. Jornal tem de trazer notícias inéditas, ser atraente, trazer histórias interessantes. Não fugir à sua natureza. Como diz o brilhante repórter Ricardo Kotscho: “O jornal não tem de agradar o dono, o político, nem o próprio jornalista. O jornal precisa agradar o seu público”.