• O funcionário do banco


    Danilo Angrimani

    Quando era garoto arrumei emprego em um banco para pagar a mensalidade da faculdade noturna. Os colegas eram legais, gente boa, a maioria vinda do interior (Tatuí, Cerqueira Cesar, Limeira). Na agência, ganhavam o apelido da cidade de origem: “Tatuí, fecha o seu caixa!”
    Meu trabalho era fazer cheques avulsos. Tinha uma máquina, um trambolho gigante que servia para gravar o nome, endereço e o número da conta do cliente atrás de cada folha do cheque. Hoje, uma máquina imprime os cheques. Faz o serviço de maneira competente, bem melhor do que eu.
    Naquela época, as agências tinham funcionários que trabalhavam como caixas. Havia milhares deles. Hoje, são uma raridade. Tenho conta em uma agência que fica na avenida Lucas Nogueira Garcez, em São Bernardo. No atendimento, dois caixas. Um, para idosos e outro para o restante dos clientes.
    Invariavelmente, tem fila no banco. Pego uma senha. Saio da agência. Faço várias coisas e, quando volto, meu número ainda não foi chamado. Resta esperar. Vinte minutos, quarenta...
    Almoçando outro dia com um consultor de negócios, ele falou meia hora sobre a importância de atender bem o cliente, de ligar para o cliente na pós-venda. “O cliente precisa ser mimado”, foi a expressão que ele usou.
    Já os bancos não precisam “mimar” ninguém. Nós é que vamos ao banco com o pires na mão. Eles não nos procuram. Nós vamos atrás deles.
    Além disso, sem que a gente perceba, os bancos nos transformaram em funcionários deles. Um sem número de operações financeiras, que antes eram feitas pelos bancos, foram passadas para os clientes. A gente transfere dinheiro, puxa saldo, paga conta, confere extrato. E até tira talão de cheque na máquina.
    Concluo que virei bancário novamente. Só que não sou remunerado. Ao contrário, como sou esperto, pago por esse privilégio.