• Oportunistas


    Danilo Angrimani

    Juro que não foi por vontade própria, mas por dever de ofício. Precisei entrar em contato com uma estudante, que ganhou notoriedade recente, por causa de uma reação moralista de colegas. Ela é daqui da região e a faculdade onde estuda (ou estudava), também.
    Ao ligar para o celular da estudante, ela me informou que eu precisaria telefonar para um escritório de advocacia, que organizava as entrevistas. Segui o caminho das pedras e quem me atendeu foi uma advogada.
    A “doutora” me explicou que a estudante teria, “em breve”, o auxílio de uma “assessora de imprensa”, para ajudar no agendamento das entrevistas, tantos eram os pedidos que vinham “de todo o Brasil”.
    “Isso aqui está uma loucura”, disse a advogada, um pouco surpresa, um pouco divertida com o episódio, que deve ter lhe tirado momentaneamente da rotina chata de leitura de processos e cansativas idas e vindas ao fórum.
    A entrevista, no entanto, não sairia de graça. “Ela (a estudante) quer saber quanto você vai pagar de cachê?”, perguntou a advogada, intermediando a negociação.
    Hoje, existe um padrão de comportamento Big Brother. A pessoa comum envolve-se em um determinado fato e ganha fama. Torna-se uma celebridade relâmpago (chega de citar Andy Warhol!).
    Nesse período, procura extrair o máximo de sua situação. É vista nas primeiras cadeiras da feira fashion. Aparece de relance em colunas sociais e em programas talk-show (Jô, Luciana Gimenez). Cobra cachê para ser ir a festas. E, se for mulher, fatalmente, vai ser convidada por aquela publicação notória para ficar pelada.
    A sensação, para quem observa à distância, é de alguém sendo espremido, lentamente, igual à laranja na máquina de fazer suco da padaria. De repente, não sobra mais nada e a casca vai para o lixo. No caso da celebridade relâmpago, é a descida pela ladeira do esquecimento. “Quem é você mesmo?”.