• Os marmanjos e as figurinhas


    Danilo Angrimani

    Ladrões invadiram uma distribuidora em Santo André e roubaram 135 mil figurinhas do álbum da Copa 2010. O crime foi motivado pela febre que move consumidores em busca de cromos, que trazem imagens de jogadores que disputarão o próximo campeonato do mundo de futebol. Os culpados de tudo? Os marmanjos. Explico abaixo.
    Colecionar figurinha é um hábito que começou há 100 anos, quando vinham reproduções de bandeirinhas, na forma de brinde, dentro dos maços de cigarro Estrela de Nazaré.
    Entre os anos 50 e 70, com as conquistas do Brasil nas Copas, o comércio de figurinhas tornou-se negócio lucrativo. As figurinhas vinham enroladas nas Balas Futebol. A garotada gastava uma nota, tentando preencher um álbum que, quase sempre, trazia uma página com um espaço em branco. Era a maldita “figurinha carimbada”. Os meninos trocavam a “figurinha difícil” por 50 cromos “fáceis”.
    Figurinha era coisa de criança. Hoje, marmanjos colecionam cromos. Pior: eles não têm vergonha. Não colecionam escondido. No escuro, dentro do quarto. Ao contrário, fazem abertamente. Ao vivo, em cores, na TV.
    Por essas e outras, a molecada vai na banca de jornal comprar seu pacote de figurinhas e não encontra. Os barbudos levaram tudo. Faça-me um favor...Tenha paciência. Leia livros (sem vampiros, please), assista filmes, veja óperas. Deixe as figurinhas para os moleques.
    Por falar em ler, o brasileiro poderia tentar gostar um pouco mais de livros. Eu sei que é difícil, não tem imagens, mas o esforço mental compensa. Evitaria esse constrangimento mostrado pelo BOM DIA. De quatro pessoas entrevistadas, no feriado de 21 de abril, apenas uma sabia exatamente quem tinha sido Tiradentes. Deplorável.
    Conselho sacana de amiga: “Não se comprometa. Desfrute”. E a bicha encalhada comentando com a outra: “Estou livre e desimpedida. Pronta para prestar serviços gratuitos à comunidade”. Ui!