• Os motoqueiros e a pena de morte


    Danilo Angrimani

    Diariamente, sou obrigado a sair da região e atravessar São Paulo. Quase que diariamente também sou testemunha de acidentes, vitimando motoqueiros. O cenário é sempre parecido: o trânsito está parado; às vezes, há um grupo de motoboys, em volta do acidentado; outros ameaçam o motorista envolvido no acidente.
    Em seguida, chegam bombeiros, autoridades de trânsito, ambulância. O tráfego continua imobilizado. A “normalidade” leva, às vezes, mais de uma hora para ser restabelecida. Já presenciei helicópteros descendo em avenidas e recolhendo motoqueiros em estado gravíssimo.
    Posso não ser a pessoa mais inteligente do mundo, mas será que não custaria mais barato para os cofres públicos, para o nosso bolso, evitar o acidente? Imagine o custo de toda essa mobilização: bombeiros, paramédicos, agentes de trânsito, policiais; carros em movimento, sirenes ligadas; e, de vez em quando, helicópteros de salvamento sendo acionados.
    O acidente não ocorre vez ou outra. Os acidentes são diários. São visíveis e previsíveis. É um genocídio de uma categoria e nada se faz para evitá-lo. Há uma omissão imoral das autoridades.
    Ser motoqueiro hoje na região metropolitana de São Paulo é receber uma condenação prévia à pena de morte - ou perpétua (para os casos de sequelas gravíssimas).
    Tentativas tímidas de criar um transporte por moto mais organizado fracassaram. Sempre que as prefeituras buscam criar maneiras de enquadrar os motoboys, a categoria reage. Faz manifestações. É um vespeiro.
    Falta coragem política para encarar o problema de frente. É fato. Mas desconfio que aqueles que poderiam resolver o problema, na realidade, estão pouco se lixando para esse pessoal pobre, obrigado a ganhar a vida driblando o trânsito e a morte.