• A relativa importância do Rodoanel


    Danilo Angrimani

    Mário Covas foi um dos melhores governadores de São Paulo. Era um tocador de obras. Acordava cedo. Percorria canteiros. Brigava com engenheiros, questionava empreiteiras e a obra saía. Tive contato com Covas como munícipe e profissionalmente. Ele tinha uma rara qualidade em políticos – era sincero. “Dá pra fazer”, ou “infelizmente, não será possível”, falava, mirando o olho da gente.
    Covas morreu antes de completar o Rodoanel. Seu sucessor, apelidado de “picolé de chuchu”, era lento como repartição em véspera de feriado. Sentou em cima da obra. O Rodoanel atrasou. São Paulo teve suas “coronárias” viárias entupidas. A cidade “enfartou”.
    Quem mora no ABCD e trabalha em São Paulo enfrenta uma via-crúcis diária. Paga seus pecados. Perde horas em deslocamentos simples. O Rodoanel, que teve o trecho Sul inaugurado na semana passada, vai representar certo alívio. Mas é pouco. Essa “ponte de safena”, que desobstruiria as artérias da capital, não será bem-sucedida. O congestionamento mudará de lugar.
    Além do Rodoanel, Covas queria construir o “metrô de superfície”, que ligaria o ABCD a São Paulo. Parente do RER parisiense, o metrô de superfície seria uma maneira civilizada e sustentável de se dirigir à capital. Veio o governo Serra e nada foi feito nesse sentido.
    Se as lideranças regionais não fossem tão lentas, nessa hora de candidatos e promessas de campanha, seria o momento de se levantar a bandeira do metrô de superfície. Mas eles vão esperar o Rodoanel “enfartar”.
    O trecho Sul do Rodoanel atraiu tantos holofotes que foi inaugurado duas vezes. Uma por Serra; e outra pelo seu sucessor, Alberto Goldman, que chegou atrasado no primeiro dia de trabalho. Tem coisas que só acontecem no Brasil.
    Você ficou sabendo da pesquisa feita nos presídios da região? Pois é, apenas 3% dos presos querem a liberdade. A maioria – 97% - prefere a Libertadores. Ui!