• Um bom ano


    Danilo Angrimani

    Nesses estertores de 2009, começo a ficar com saudades do ano que se vai. Foi um bom ano. Bem recheado. Com tudo que a gente tem direito. Até Madonna, para se ter uma ideia, encontrou Jesus. Já Michael Jackson, ao chegar aos Céus, foi logo interpelando São Pedro: “O sr. saberia me dizer onde o Menino Jesus está...”
    Foi um ano de filmes ruins. O pior deles: Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino. É tão ruim, que a Academia deve lhe consagrar com um Oscar. Coloca Hitler em território inimigo, numa avant-première e – surpresa! – com seu camarote guardado por dois soldados. Dois! A maior falha de roteiro da história? Não. Tem filme pior.
    Enquanto os cinemas fecham o ano com essa coisa produzida em computador, 2012 – Os maias podem estar certos (talvez não); quem assiste TV aberta perdeu a capacidade de sentir aversão. Da corrida das gostosas de salto alto em uma pista do Jóquei Clube, perpetrada pelos Irmãos Supla, ao maçante reality-show A Fazenda, passando por programas humorísticos da Globo que não fazem rir, sem esquecer de novelas bocejantes, como Caras e Bocas, aos cafonas de sempre (Gugu, Silvio, Faustão), a TV aberta consegue se manter enfiada sob a saia da mediocridade atroz. Meu pior pesadelo? Domingo à noite, assistir Pânico na TV. Inteirinho.
    Foi um ano em que a gente aprendeu a lavar dinheiro, porque não dá mais para encarar essas notas que andaram enfiadas em meias chulerentas e cuecas encardidas. Foi um ano em que meu ídolo de infância Kung Fu morreu enforcado durante uma masturbação com cordas. Um ano repleto, com novidades e com muito mais do mesmo.
    E em 2010 quero o de sempre: que meu time seja campeão e que as moças brasileiras possam enfim andar de minissaia. Um dia, quem sabe, elas até poderão fazer topless na areia, como Marina Lima tanto gostaria.